Espetáculos / O Reino do Mar Sem Fim

O REINO DO MAR SEM FIM é baseado em materiais reunidos por Adriana Schneider, ao longo de 14 anos de pesquisa de campo na Zona da Mata pernambucana sobre o mamulengo e o cavalo-marinho. A dramaturgia é construída a partir de depoimentos reais de brincantes da Zona da Mata, em especial do mamulengueiro, barbeiro e cantador de romances Severino da Cocada. No encontro com Severino da Cocada, em agosto de 1999, ele abriu numa página em branco de sua caderneta, onde anotava as dívidas dos fregueses da barbearia, adotou uma postura épica com o dedo em triste e, lendo nas páginas vazias, pôs-se a cantar, durante 16 minutos, sem parar e de memória, “O romance da princesa do reino do mar sem fim”, de Severino Borges da Silva, grande poeta popular e violeiro de cantoria, de Timbaúba, falecido em 1991. O cordel traz a fabulosa história da princesa Elizabete, filha do rei do Mar Sem Fim, que se livra de um encanto graças ao heroísmo do valente Adriano. O épico da história nos remete a textos clássicos, como “A Odisséia”, de Homero. O Reino do Mar Sem Fim principia com Severino da Cocada contando a sua história e falando da sua relação com as brincadeiras populares da Zona da Mata. A dureza do trabalho na cana-de-açúcar é desaguado em farto manancial de imaginação. A construção da cena envolve diversos elementos de animação, bonecos, objetos e imagens. A realização de O Reino do Mar Sem Fim conta com a consultoria de Miguel Vellinho, especialista em teatro de animação, com músicas originais especialmente compostas para o espetáculo de Kiko Horta, do Cordão do Boitatá e do cenógrafo Carlos Alberto Nunes. Exposição O Reino do Mar Sem Fim. A exposição que acompanha o espetáculo é montada no foyer dos teatros, reunindo a coleção de bonecos de mamulengo, com as fotos de pesquisa de campo, dando ao público a chance de navegar no universo dos mamulengos e seus mestres. Cerca de vinte e cinco obras são expostas em estruturas de bambu construídas especialmente para a ocasião, por João Bina Neto. Textos e fotos complementam a mostra, que é homônima ao espetáculo.